Marcapasso: saiba como funciona o aparelho que pode salvar vidas

Para alertar a população sobre os perigos da arritmia, elucidar dúvidas, esclarecer mitos e abordar as possibilidades de tratamento com dispositivos implantados, 23 de setembro foi definido como o Dia do Portador de Marcapasso. Entre outras funções, esse aparelho eletrônico é responsável por manter uma cadência cardíaca adequada às pessoas portadores de arritmias, grupo de condições em que o batimento cardíaco é irregular, sendo demasiado rápido ou lento.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 350 mil pessoas são portadoras de marcapasso no Brasil e, a cada ano, 39 mil dispositivos são implantados em novos pacientes.

O dispositivo é composto por um gerador de pulsos com um, dois ou três eletrodos, que conectam o marcapasso ao coração. O gerador de pulsos possui uma bateria e uma parte eletrônica capaz de detectar os batimentos cardíacos e estimular o coração, se necessário. Ele emite, então, estímulos elétricos até o órgão, fazendo com que ele atinja uma frequência cardíaca regular.

“Na maioria das vezes os marcapassos são indicados para tratar as bradicardias, ou seja, quando as batidas do coração estão muito lentas. Mas alguns tipos especiais de marcapassos podem ser indicados para prevenir morte súbita e para o tratamento da insuficiência cardíaca”, explica o cardiologista do Hospital do Coração do Brasil, especialista em marcapasso e arritmias, Joubert Mosquéra. O médico realizou em 2016, apenas no HCBr, 88 procedimentos relacionados ao marcapasso.

Apesar de a grande maioria dos portadores desses dispositivos serem pessoas em idade avançada, devido às cardiopatias tornarem-se mais frequentes com o passar dos anos, o médico esclarece que não há restrições quanto ao uso do aparelho. “Existem casos de recém-nascidos que necessitam do implante, assim como crianças operadas do coração. Jovens portadores de cardiopatias, como a doença de chagas, também podem receber um marcapasso”, esclarece Joubert Mosquéra.

Existem basicamente três tipos de marcapasso: O modelo convencional, utilizado para o tratamento das bradicardias – alteração do ritmo do coração causada por uma queda da frequência cardíaca. Marcapassos cardiodesfibriladores, também conhecidos pela sigla CDI, utilizados em pacientes com risco de morte súbita por arritmias muito rápidas, chamadas de taquicardias ventriculares. E, por fim, marcapassos ressincronizadores, que auxiliam no tratamento de portadores de insuficiência cardíaca devolvendo a sincronia da contração das paredes do coração.

A cirurgia para implante é realizada com auxilio de raio-X que guia a introdução dos eletrodos por meio de uma veia até o interior do coração. Na maioria dos casos isso é feito por um pequeno corte no peito abaixo da clavícula, procedimento que leva, em média, de duas a três horas. Caso não apresente complicação, o paciente recebe alta no dia seguinte. O pós-operatório, segundo o cardiologista, envolve repouso de 15 a 30 dias com retorno ao médico a cada seis meses para revisão do aparelho.

Marcapasso na pauta do Congresso

Projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados visa melhorar o processo de revista em pessoas que usam o marcapasso ou próteses metálicas. Semelhante à norma da ANAC, a proposta prevê que essas pessoas sejam manualmente revistadas, sem a necessidade de passar por detectores de metal. O relatório foi aprovado na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Para ambos os casos, será necessário comprovar condição por meio de atestado médico.

O cardiologista Joubert Mosquéra, explica que quando um paciente recebe o implante do aparelho, ele ganha uma carteirinha que o identifica como portador de marcapasso, o que poderia dispensar o atestado médico. Segundo o especialista, é recomendado que essas pessoas evitem o contato com alguns tipos de equipamentos eletrônicos, como os detectores que são encontrados nas entradas de bancos e aeroportos.